Atividades incluíram visitas a unidades de saúde urbanas, rurais, ribeirinhas e fluviais, além de diálogo com gestores e profissionais da rede municipal
A pesquisa Atenção Primária à Saúde em Municípios Rurais e Remotos (APS em MRR) realizou, entre os dias 2 e 4 de março, uma etapa de trabalho de campo no município de Abaetetuba, no Pará, com o objetivo de compreender a organização da Atenção Primária à Saúde em territórios amazônicos marcados por dinâmicas geográficas, sociais e logísticas específicas.
Ao longo dos dias de atividades, a equipe realizou visitas institucionais, entrevistas com gestores e profissionais da rede municipal e acompanhamento de serviços de saúde localizados em diferentes territórios do município, incluindo áreas urbanas, rurais, quilombolas e ribeirinhas.
A equipe responsável pelo trabalho de campo foi composta por Cristiano Gonçalves Morais, Vanessa Kemilly Gomes Lima, Moniky Rayanne Silva dos Santos, Juliana Gagno Lima e Márcia Fausto.
Visitas institucionais e conhecimento da rede municipal
As atividades tiveram início com visitas à Secretaria Municipal de Saúde de Abaetetuba e ao Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), possibilitando um primeiro contato com a gestão municipal e com a organização dos serviços de saúde no território.
Esses momentos permitiram à equipe conhecer aspectos da estrutura da rede de atenção à saúde, dos fluxos assistenciais e das estratégias adotadas pelo município para garantir o acesso da população aos serviços de saúde, especialmente em um território caracterizado por grandes distâncias e diversidade geográfica.
Imersão no território Norte Águas
No segundo dia de campo, a equipe realizou uma ida ao território conhecido como Norte Águas, região marcada pela presença de comunidades ribeirinhas e por dinâmicas fortemente influenciadas pelo ciclo das águas.
Pela manhã, os pesquisadores visitaram a Unidade Básica de Saúde Rio Arumanduba, onde foram recebidos pela equipe local e puderam conhecer o funcionamento do serviço, bem como aspectos da história e da organização da saúde na região.
No período da tarde, foi realizada visita à Unidade Básica de Saúde Fluvial, responsável pelo atendimento às ilhas do município. A atividade possibilitou compreender as especificidades da organização do cuidado em saúde em territórios onde o acesso aos serviços depende, muitas vezes, da mobilidade fluvial e das condições ambientais.
Serviços de saúde na área rural, quilombola e urbana
A agenda de campo também incluiu visitas a serviços de saúde localizados em diferentes áreas do município. Pela manhã, a equipe visitou a Unidade Básica de Saúde Dr. João Miranda, situada na Comunidade Colônia Velha, e o Posto de Saúde do Quilombo Piratuba, onde foi possível conhecer a atuação das equipes de saúde nesses territórios.
No período da tarde, os pesquisadores estiveram na Unidade Básica de Saúde Maria Eunice Rodrigues Carvalho, localizada na sede do município. A visita permitiu observar a estrutura física da unidade, a organização do trabalho das equipes e a oferta de cuidados em saúde à população.
Participação em mostra de experiências do SUS
O encerramento das atividades de campo contou com a participação da professora doutora Márcia Fausto como avaliadora na III Mostra Abaetetuba: Aqui tem SUS!, realizada a convite da Secretaria Municipal de Saúde.
O evento reuniu 17 experiências e projetos desenvolvidos no âmbito do Sistema Único de Saúde no município, constituindo um espaço de troca de conhecimentos, apresentação de práticas locais e valorização das iniciativas construídas no cotidiano dos serviços de saúde.
Durante o período da tarde, a equipe também deu continuidade às entrevistas com profissionais da rede municipal de saúde e foi recebida pelos coordenadores do Projeto Brincando de Miriti, iniciativa voltada ao desenvolvimento de atividades com crianças e à promoção do cuidado em saúde mental no contexto urbano e rural do município.
Cooperação com o território
A equipe da pesquisa registrou agradecimento à Secretaria Municipal de Saúde de Abaetetuba, em especial à secretária de saúde Rosa Carvalho, bem como aos gestores, profissionais de saúde e trabalhadores do SUS que contribuíram com a realização das atividades de campo.
A interação com os territórios e com os profissionais que atuam nos serviços constitui uma etapa fundamental da pesquisa, permitindo aproximar a produção científica da realidade vivida nos sistemas locais de saúde.
Sobre a pesquisa
A pesquisa Atenção Primária à Saúde em Municípios Rurais e Remotos (APS em MRR) busca compreender os desafios, estratégias e arranjos organizacionais da Atenção Primária à Saúde em territórios caracterizados por baixa densidade populacional, grandes distâncias geográficas e condições específicas de acesso aos serviços de saúde.
O estudo envolve diferentes regiões do país e tem como objetivo contribuir para o fortalecimento de políticas públicas e estratégias de organização da atenção à saúde em contextos de maior vulnerabilidade territorial.
A pesquisa é financiada pelo Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS).
